terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Depressão Económica ou Economia Depressiva?

Depois de ontem ter visto o fim do "Prós e Contras" fiquei a pensar que a confiança dos investidores (pequenos, médios ou grandes) na economia é proporcional á confiança dos eleitores e não-eleitores (de pequeno se torce o pepino) na política. Hoje, em complemento a estas divagações, li este artigo que, embora o assunto não esteja directamente relacionado, foca um aspecto importante da cultura portuguesa.

(...)" Mas ao contrário do que dizem os velhos do Restelo, Portugal, nas últimas décadas, tem marcado pontos no campo da investigação científica, com descobertas reconhecidas internacionalmente, em campos tão diferentes como a genética, o sistema nervoso central ou as bioengenharias, para falar apenas alguns.

Prova disso são a existência, só na Região Norte, dos Institutos de Biologia Molecular (IBMC), Patologia e Imunologia Molecular (IPATIMUP), e de Engenharia Biomédica (INEB). Mas ontem foi dado um passo que revela, só por si, visão, inteligência e maturidade, qualidades quase tão raras como as doenças que estes investigadores estudam ao microscópio. Refiro-me á assinatura de um contrato de consórcio entre estes três institutos, que aceitaram ser designados por um único nome, o I3S, Instituto de Investigação e Inovação em Saúde. Afinal para problemas multifactoriais, só faz sentido soluções multidisciplinares, e os responsáveis destes organismos perceberam que a união faz a força. (...)

Mas o I3S promete mais, promete ser uma razão para que os cérebros portugueses fiquem por cá, que outros nos procurem, e garante criar 'saber' que interessa a empresas que trabalham nestas áreas, e recebem assim um estímulo a estabelecerem-se entre nós. Pela minha parte fico contente se nos deixarmos de nostalgias pelos Descobridores que ficaram na penumbra do sec. XVI e saudarmos os do sec. XXI."

Isabel Stilwell, in 'Destak', 29 de Janeiro de 2008.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A inspiração não segue a procissão.


"O ter tocado nos pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação. Se um homem escreve bem só quando está bêbado dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso, respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto."


Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'. Composto por Bernardo Soares.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Deixa mamar


O grande problema agora é Sócrates chamar a Ota e dizer que têm q ter uma conversa:

"Querida... Há outra pessoa..."

"O que?! Meu Deus... como foste capaz! Depois de todos estes anos.."

"EU sei querida, desculpa. Mas aconteceu e é irreversível."

"Então e agora? E os nossos terrenos? Sempre estive muito distante nao foi? Diz-me que eu mudo! O que há de errado que eu mudo!"

"Estas optima assim, apenas apareceu alguem melhor, estive a estudar a situação e acho que é o melhor para mim."

"A estudar a situação? e o AMOR? É sempre o Melhor para ti! Não sabes AMAR!"

"Compreendo minha OTAria. Ja se dizia na Independente: Quem não ama, mama..."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Correntes de ar

nao sei quantas pessoas vao ler isto, mas neste momento oiço vento na minha cabeça, vento que uiva e ui como ele uiva. Ao principio pensei que fosse alguem que tivesse a ouvir alguma musica estranha mas nao. É do espaço vazio que habita a minha cabeça e que cria correntes de ar com outros espaços vazios como os pulmões e o estomago. Poderia dizer o coração mas o meu coração nao esta vazio. Apesar de todas a s apunhaladas que tem apanhado todos esses golpes apenas tiraram a pele de um coração velho e podre que ja mto havia dado para revelar o coração de um leão! E este coração de leao tambem sera apunhalado e esventrado para que saia de la a criança que o habita. E o vento uivante tornar-sé-á numa brisa que sopra no final de tarde dum dia de verão, como uma continuidade que é descontinuada... um pouco á semelhança dessa característica humana que é o amor. O amor tem mais de descontinuidade que continuidade, assim como a brisa do verão ... mas o vento uivante é continuo e persistente e faz lembrar o inicio de uma musica que outrora soube o nome, provavelmente nao tem nome e é assim que a musica devia ser: sem nome. A musica devia ser apenas musica, e assim este vento uivante seria apenas musica...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Noites Brilhantes

Fumei 8 brocas de seguida e a seguir pus-me a pensar... e constatei que ainda nao estava maluco. Bebi 6 tequilas e a mistura fez-me reflectir sobre o meu viço mental. Que lucidez! Que clarividência! Que pensamentos fluídos banham o meu órgão mental! Não contente destilei 1 grama de cocaina e aí é que me saltaram as catotas pelo cranio: que inteligência a minha! mas que poder de pensamento! Fui-me ver ao espelho para verificar se a minha cabeça teria inchado tal era a força que eu sentia sobre os seus musculos. Quando já pensava ir ao registo civil mudar o nome para Osvaldo "Fenómeno" das Matas eis que me ocorreu papar 3 gotas de ácido. Tenho estrias nas nalgas e nao me lembro de nada...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

'Ambrósio, hoje acordei debochada..."

"Somos mais injustos para quem nos é perfeitamente indiferente do que para quem nos é inimigo."
-Nietzsche-

Parece sempre bem citar Nietzsche, dá um ar denso e esotérico a qualquer texto. Até porque é um autor que congrega 5 consoantes seguidas e isso não é facil.

O que trago com esta citação é o seguinte: é preferível viver no ódio do que não viver. É preciso amar suficientemente bem para se poder odiar. O ódio é a cereja no topo do bolo cremoso do amor. Diria antes a rodela do sant'ananás porque é mais ácida e calha melhor num bolo com muitas natas. As natas vêm do leite e o leite vem do seio materno. O amor vem desses tempos idílicos do seio materno. O ódio já será mais evoluído. Mas o ódio é o funcionamento excelente por natureza, o funcionamento humano. Um animal não odeia. Um animal, o leão por exemplo. Ele não odeia a garça. Ele quer comer a garça. Ele ama a garça mas vai comê-la. É pragmático. O homem não é pragmático. Por isso é que os leões ainda são leões e os homens já deixaram de o ser. Os homens não conseguem ser pragmáticos porque não suportam assumir aquilo que é seu por natureza: o ódio. Um povo invade um país mas não consegue dizer que o odeia: é para instalar a democracia, assim nao pode ser! Mentira. É porque lá no fundo eles odeiam o povo invadido, e como tal fazem-se passar por animais dizendo que é para a sobrevivencia da humanidade, etc.
É claro que o ódio nao pode ser expresso assim de modos tao crus que nos façam de repente regressar aos neandertais! É claro que esta apologia do ódio so faz sentido se este ódio for bem recheado, se houver densidade nele. É a agressividade que nos faz mover, o desejo de libertação que nos impele a alcançar novos horizontes mas estes sentimentos devem ser dirigidos para o nosso horizonte. O ódio é a faísca que permitiu ao homem descobrir o fogo. E esse fogo é que nos aquece de noite. É um pequeno tesouro que convém guardar comedidamente.
Agora a indiferença não presta para nada. Presta para sermos ignorantes, para sermos feios. Uma pessoa indiferente, é não-diferente. É igual ao resto, é uma massa sem forma, sem cor sem brilho, sem cheiro, sem rosto. Até um demónio tem algum charme. Uma cara perfeitamente simétrica não é atraente a ninguém, até algum toque de assimetria sopra uma brisa de beleza sobre o rosto do diferente.