domingo, 26 de abril de 2009

Agostinho

Pensar em virtude é, segundo um autor, pensar num estado e impulso antagónico à virtude e num contínuo esforço da vontade. Há que relevar principalmente o que é voluntário quando se pretende desenhar um homem virtuoso. Esse autor liga a virtude às fortes resoluções e à coragem civil, segundo a origem e significado da palavra. Para tal qualidade é necessária a visão nítida e a alma destemida, pois define-a como um contínuo querer e contínua vigilância aos elementos vistos como maus, aos quais se move perpétua batalha.
O menino virtuoso, que apresenta uma bondade natural, não fascina particularmente. Quando bravo e combativo dá garantias de, mais tarde, o ter com energia suficiente para se empenhar na luta heróica e aí deixar a sua matéria, isto assim que se afirme a sua vontade e a sua reflexão distinga os caminhos. O menino dócil que não chora, parte ou esbraveja formará as massas submissas, parecendo ao autor esta virtude antes uma incapacidade de aplicar o mal e falta de coragem para o praticar.
Apenas o sacristão venera um santo qualquer, por dever, sem elevar quem teve uma vida curvada por agonias e angústias; contudo, foram estes quem foram mais longe. O céu é merecido a quem conseguiu ultrapassar uma remissa natureza, e mesmo o esforço nessa natureza é digno dessa divina recompensa. Todavia, já o inferno é uma forma de glória. A única virtude possível a quem é bom por ter assim nascido é que seja mau, pois aqui se revelaria originalidade e coragem. De contrário, quer a quem é mau por ter assim nascido quer a quem é bom desde nascença, o único direito possível é o do silêncio eterno. Torna-se neste ponto compreensível o fundo de boas qualidades como a sensibilidade e delicadeza de certos grandes criminosos.
Um autor compreende os perigos desta doutrina transposta para o social, mas por isso mesmo, define-a como o conceito de virtude como o desejo de superar e não de combater; mas no presente texto ficaria por aquilo que a virtude tem de conflito entre a natureza e a vontade.

1 comentário:

Maria JRC Mano disse...

escreves Bem. a forma e conteúdo.
Digno de uma crónica na Visão.
Virtude é o que tu treinas aqui.