quarta-feira, 31 de julho de 2013

Obra Sanitária

 Ter estado tanto tempo sem escrever entorpeceu-me os dedos, o acesso aos vocábulos e às ideias. Algumas ideias ainda surgem... mas articula-las, expressa-las não é como escrever todos os dias. Falta óleo ao motor. Para além de que aprecio muito mais escrever com a mão que é do meu corpo e com a caneta que é de todos. Por aí as ideias escorrem muito melhor e as palavras são escritas em vez de ser alguém a escreve-las. 
Escrever no computador sem passar pelo papel e pela secretária é como pintar na galeria sem passar pelo atelier. Não que o obreiro não faça a obra mas a obra não é feita só pelo obreiro. É feita pelo olhar do obreiro para outras obras, em simultâneo. Distrações e confusões. Até o cócó para ser feito precisa de recato. 


terça-feira, 30 de julho de 2013

Poema aos Pastores



O mundo dos pastores é mais puro,
assim o exigem os cabritinhos
mas só um homem duro
consegue andar por aqueles caminhos.

O caminho do soldado.




Este ano não vai haver Gerês, vai haver antes Algarve. Mas calma que as férias ainda estão ali à frente!


Posta de Frango

Em matéria de tostas de frango na zona oeste ha 2 sítios que merecem destaque. O Barraca surf pub snack bistro bar e o Varzea Chiringuito spot. A tosta da Varzea é mais substancial. A da Barraca é melhor confecionada. 

Depois há a tosta do Golfinho Disco Club. Essa tem dias. Há dias em que muito bem, outros há em que muito mal.

Tosta do Tasse Bem? Uma vergonha. 

Tosta de frango no Bar do Bruno? Retiraram do menu.

Tosta de frango no Java? Lamentável. 


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Férias da estupidez

Férias à porta e parece que já andam todos de estupidez em punho para a brandir sempre que necessário. Merecem desculpa pois esse tem sido o desígnio nacional nos ultimos 90 anos (50 anos de Estado Novo + 40 de Democracia): a estupidificação dos povos. E é no Verão, quando a maioria das pessoas está de férias, quando se podem entregar aos seus projectos, cultivar com mais tempo as suas preferências, que ataca o silly lobby. É nessa altura que é preciso atacar com mais força e incisão, não vão as pessoas perceber que afinal gostam de uma dieta mais substancial e nutritiva. 
É assim com o capitalismo que, perto do estertor final, ataca com mais força. 



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ser jovem no século XXI. Um desafio



 Há tempos ouvi uma notícia na TV Maçon onde se relatava que numa localidade dos E.U.A. uma criança de 4 anos concorre à presidência da câmara. A criança concorre pela 2ª vez, tendo ganho a anterior. Só quase no final da 'peça' é que se lembraram de avisar que se trata duma brincadeira organizada na localidade. Apenas nessa ocasião tive a oportunidade de me confrontar com alguns preconceitos que julgo estarem enterrados bem  fundo e que não serão meus exclusivamente. 

Fiquei atónito! Como é possível? Eleger uma criança para dirigir uma localidade? Isto para mim foi particularmente chocante por ter tomado contacto com esta possibilidade quando assisti aos DVD's das entrevistas de Agostinho da Silva. Aí mencionou-se, segundo me lembro, que o V império seria o último, depois de todos os outros. Seria a idade do Espírito Santo em que as prisões seriam desnecessárias e abolidas e as crianças seriam as líderes do mundo. Na altura considerei estas 'ideias' vanguardistas. Não estaremos actualmente no estadio de o alcançar mas seriam aspectos indicadores duma sociedade bem mais saudável. 

Concordei, uma criança tem um sentido de humanidade e justiça que um adulto poderá não ter. Uma criança tem menos oportunidades para ser corrompida que um adulto. Uma criança - líder convocaria um estilo pautado por afectos, em oposição aos estilos contemporâneos, pautados por "cerebralidade", pela frieza dos números financeiros.  

Justamente: o preconceito está justamente aí. Ser governante é uma tarefa nebulosa, complicada, é preciso sentido de Estado. O sistema está tão podre que só por brincadeira de mau gosto uma criança poderia chegar a 1º ministro: seria necessário que dominasse a arte da mentira bem cedo. Seria necessário que aprendesse a difamar e a atacar pelas costas logo nos primeiros anos. 

Os sacerdotes que escreveram aquilo a que Agostinho da Silva se referia pensavam decerto numa criança mais saudável...

Mar de Incertezas

 Entre a nossa cabeça e o mundo lá fora existe um mar que nos faz balançar entre onde queremos ir e onde vamos realmente chegar, onde as ondas deste mar nos vão levar.
Estão as águas calmas ou revoltas? O barco resiste ou o projecto afunda-se? 
Haja equilíbrio! 
E vontade! (Porque se não houver vontade, o vento não sopra e o barco não anda).

Uma nova vida

 Mais uma vez esta página renasce, ganha novos contornos, novas cores, um outro estilo. O autor é, em identidade, o mesmo, mas ao fim de mais de dois anos este autor está inevitavelmente diferente. Assim como o mundo em que ele vive e o mundo em que ele escolhe viver. São duas coisas distintas, creio eu: o mundo real da vida e o mundo que nós vivemos. O mundo que eu vivo é uma parte restrita do mundo real a que ninguém, creio eu, tem acesso. Viver no planeta terra tem certas especificações técnicas. Nascer  no fim do século XX implica alguns pormenores, ser Europeu, Português, trabalhar em determinado contexto,... são tudo aculturações que deixarão a sua marca nestas linhas. Ainda assim, não creio ser o essencial. Para mim o essencial é o presente que se vai criar quando vocês lerem estas linhas, o momento de partilha, a emoção (que até pode ser de repúdio)que se vai criar quando se encontrarem com esta parte restrita de mim. Acredito que quando lemos Fernando Pessoa ele está ali no sofá connosco. Tenho dormido com o José Saramago. 
Desculpa Pilar del Rio!
Por isso os poetas e escritores (e músicos e artistas de toda a sorte)ganham a eternidade, porque depois da morte física a sua vida "não-estritamente física" continua junto de quem aprecia os seus legados. 
E quem sabe ter filhos desses presentes/ encontros? Quantos continuadores de obras não há por aí? 


O que se pode esperar?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ZZPAAM!

O problema de quem quer conhecer também é: e quem vai querer conhecer o que eu quero conhecer.

domingo, 29 de maio de 2011

Felicidade emprestada

Foi esta noite que vi parte de um documentário sobre os efeitos da medicação para crianças com dificuldades no comportamento, nos Estados Unidos da América. Estas dificuldades são descritas como 'síndrome de Asperger', 'perturbação obsessivo - compulsiva', 'perturbação de hiperactividade com/ou défice de atenção', entre outras...
O documentário parecia bastante completo, com uma abordagem bastante honesta do seu autor. A dada altura ele entrevista um pedopsiquiatra e questiona-o acerca das vantagens da intervenção medicamentosa, ao que ele responde que "as crianças funcionam melhor. Na escola e em casa. Em certas famílias falta consistência para indicar uma terapêutica comportamental, e o medicamento pode preencher a lacuna." O repórter interroga:
- Acha que as crianças se sentem felizes?
O médico é perentório:
- Sem dúvida que sim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Patranhas

A interdição do escrever tem traduzido uma inibição do meu pensar. Tenho exportado pouco pensamento é verdade. E a economia psíquica ressente-se, não tenho enriquecido muito.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Laços (H) sobre a sociedade.

Renomado filósofo francês disse certo dia: "Eu sou eu mais as minhas circunstâncias..."
É isso que as redes sociais destroem.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lembranças de Natal

Hollywood nunca se lembrou de publicar um filme com um pai natal assassino. E Hollywood ja se lembrou de coisas bem estranhas...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Constelações Viscerais

Escrevo-me a mim mesmo e penso: sinto-me desconfortável e só olhando para trás, retrospectivamente, consigo compreender o sentimento. O nome dele é agora mais claro, nomeável, tem filiação: é solidão. Solidão de ter passado um dia e ter estado sempre longe da alegria, da proximidade e do conforto. E assim ficamos empedernidos à noite, à volta do coração e este debatendo-se contra as pesadas grilhetas que não o deixam voar. Na verdade elas quase o afogam no ácido estomacal...
Mas não há nada como as saudades. As saudades são um mal que não dura e um bem que nunca acaba, por isso amanhã lá estarão a alegria, a proximidade e o conforto para me fazerem sentir a sua falta...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O aspecto interior do Sacrifício segundo Agostinho.

Muitos fazem valer o sacrifício como uma despesa futuramente reembolsável, quer no momento em que ainda estão vigentes as circunstâncias do acto, quer quando o barómetro se inverter e o crime passar a virtude. Subjacente fica apenas uma manhosa audácia e uma expectativa sobre o prazo a cumprir. E, contudo, observam esse momento da vida como se fossem espectadores de si mesmo.

O homem que está mais perto da perfeição espiritual tem uma atitude diferente perante o sacrifício, encontrando nele uma satisfação egoísta e limitada. A renúncia é comodidade e segurança, o vaguear na incerteza e restrição é, para aquele que serve o espírito, a certeza de que a sua posição adversa é aristocrática e isolada como é necessário, isto se servir apenas para continuar fiel às bases em que assenta o pensamento e fundamenta a sua vida.

Quando o dever não é imposto de fora mas sim uma aspiração maior que o mundo racional possa possuir, o seu cumprimento não pode ser visto como um sacrifício que exija recompensa. O cumprimento do dever deve antes ser como uma oportunidade de experimentar as forças e subir um degrau na escalada para o sêr, cuja sensação deve provocar na relação com os outros uma experiência de sincera e sólida gratidão pelas circunstâncias que o permitiram. Revelar-se-ia, em ultima análise um gosto diabólico e pessoal em se sentir mais forte e perfeito.

Há que chamar a atenção para outro aspecto desta fidelidade do indivíduo a si próprio, o do domínio do impulso dos sentimentos pela razão. Este esforço nunca é inútil ou demasiado; é como o remador que leva o mundo para Deus onde nenhum movimento é inútil. Da mesma forma, naquele que bem pensa, qualquer acto da vida é para a salvação da humanidade, esses que ousam estoirar os músculos ao serviço do bem comum. A inteligência que em si compreende amor, beleza e justiça, consagra ao fim último dos homens a sua vida inteira, num único momento ou em anos e vê-se mais como objecto do que como sujeito.

A tal missão nunca se chamaria sacrifício, com suas pinceladas de resignação e tristeza. Esses que vêm mais alto desejam então repartir-se por toda a humanidade, arder nas chamas dos peitos que se elevam para o céu e congregá-las na forja que transformará o céu.

domingo, 12 de setembro de 2010

Meta-Utopia

Oh oh oh! As férias já chegaram e já lá vão nos idos dias de Agosto. Agora é importante a clivagem racional do tempo em vez da ânsia de parar o fluir das coisas. Contudo, o mar continua fluído e o sol continua brilhante e os desejos oníricos de desafio à realidade misturam-se com as exigências do presente e formam a angústia do passar do tempo. Porquê fazer cumprir Abril quando se deveria fazer cumprir Agosto?? Será porque a Primavera é mais importante que o Verão? Ou será porque a melhor revolução é aquela que é presente e não a que é passada? O problema até talvez seja um pouco mais complicado porque, para mim, os desejos de Agosto foram os de revoluções futuras e sempre tentam "aplicar" a ideia que isto não anda bom para revoluções nos dias de hoje...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Irredutível

Há um pequeno castelo no mundo que eu criei, que se vai defendendo, como uma aldeia de irredutíveis gauleses, contra todo o meu ódio. É nesse castelo onde estão todas as coisas que eu amo, adoro, respeito, contemplo. É a minha paixão que luta nas suas muralhas contra a raiva, o desespero e a malvadez. O problema é que não sei onde fica o dito castelo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amputações

O problema de um buraco negro não é, para mim, a sucção de coisas lá para dentro, ou lá para fora, ninguém sabe muito bem... Não é que uma estrela seja integralmente engolida pelo buraco. Eu não me importava em viver no inferno se soubesse que lá seria íntegro e inteiro. O problema é quando um buraco negro suga partes de coisas inteiras e transforma-as em coisas incompletas, inacabadas. É esse o verdadeiro buraco negro: aquele que corta o todo em partes e o divide. Não quer o todo para nada, quer uma parte dele para que deixe de ser todo e passe a ser o que o buraco justamente roubou: uma parte..

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Por mares nunca antes navegados

...tem que haver uma forma de não nos levarmos a sério sem ter que lidar em momento algum com uma frustração enorme por isso. Gostava de ser imune àquilo que eu acho que me prejudica, as provocações, gostava de não andar a deriva quando procuro os meus próprios erros. Se soubesse quais eram seria mais facil nao me levar a sério no resto que me toca. O problema é que 'quando não sabemos para onde caminhamos, não sabemos quando lá chegamos' e é esse o problema: viver num circuito fechado, apoiado numa carapaça que mantém a comunicação possível e temendo o grande mar interior onde seríamos rapidamente engolidos sem um mapa, uma rota, uma orientação. Alguns regem-se pelos astros mas onde querem eles chegar?